Pois é. Don Rodriguez já estava achando que tinha fechado pra balanço este ano. Tolinho! Aos 44 do segundo tempo, o chefe do Rodriguez manda um e-mail dizendo pra ele representá-lo numa reunião. Só que a reunião não é bem ali na esquina. É do outro lado do continente!!!
Rodriguez pesquisa os voos disponíveis e monta um itinerário mirabolante: Sai às 7:30 da manhã e pega um voo às 20:30 do mesmo dia (com uma conexão) para retornar às 7:15 do dia seguinte. Tudo pra voltar logo pra casa e economizar uns trocados pra cia.
A Ida
Infelizmente o Rodrigones (olha a intimidade) anda meio desorganizado e teve que ficar no escritório até a 1 da manhã da noite anterior, “de modos que” só conseguiu dormir 3:30. Por sorte, ele deixou armado dois despertadores pq ele deu um ignorei pro primeiro e voltou a dormir. Com isso, ficou com o horário meio justo, na verdade bem justo. Foi chegar no portão e ser chamado para tomar assento.
Protesto: Como uma cia. aérea (no caso a American) não se digna a oferecer nem um pacotinho de amendoim num voo de 6 horas??? Eles serviram uma bebida e um copo d`agua. De resto, tinha que pagar e só aceitavam cartão de crédito. Resultado: Rodrigones chegou azul de fome.
Como é comum nos Estados Unidos, organizaram um almoço de trabalho que se traduziu em sanduíche frio, batata chips e refrigerante digeridos enquanto alguém fazia uma apresentação. A volta As discussões se arrastam e como o Rodrigones está no final da agenda, o tempo começa a ficar apertado. Não deu outra: a participação do Rodrigones, que estava programada para ser de 1h, foi reduzida para 15 min. Mas de qualquer forma, valeu a pena porque os outros temas eram de interesse e foram bem informativos.
A Volta
Rodrigones pega sua mochila e cai na estrada rumo ao aeroporto. E pra variar, Don Rodriguez-Adams, com sua nuvem de urubus sobrevoando o cupê mal-assombrado (vc lembra dessa?), se depara com um congestionamento. Apesar da preocupação ele chega no horário, dá um pulinho no portão de embarque, vê o avião já estacionado e decide ir comprar alguma coisa pra comer. Teoricamente ele vai ter mais tempo pra comer algo decente na próxima escala mas como seguro morreu de velho, ele decide forrar o estômago caso dê algum imprevisto. E surpresa… deu.
Faltando 15 minutos pro horário previsto do embarque, anunciam que há algum problema técnico na aeronave e o voo saíra com pelos menos 30 min de atraso. Rodrigones vai lá no balcão e explica que tem conexão e que está preocupado com o atraso. A agente informa que sendo voo doméstico, um atraso de 30 min não seria problema mas sugere que venha conversar novamente se o atraso se prolongar. Passados os 30 min, novo anúncio: Precisam de mais 1h pra fazer o reparo.
Rodrigones resolve ligar pra American (a mesma que não serviu nem um minduca) pra avisar que deve perder a conexão e perguntar quais as opções. A atendente responde, com uma má vontade, que a cia. aérea que causou o atraso é que tem que resolver o problema. Rodrigones então volta pro balcão e a agente concorda que a coisa ficou russa. Rodrigones explica que a American, apesar de ter um voo direto daquele mesmo aeroporto para seu destino final, deu uma de Pôncio Pilatos e passou o pepino pra mão deles. A agente fica meio surpresa pq disse que eles não têm nenhum acordo mas que vai ligar pra supervisora. Neste meio tempo, Rodrigones liga de novo pra American e pergunta o que era necessário fazer para trocar o bilhete pro voo direto que saía daquele aeroporto. O novo atendente responde que como já tinha passado da meia noite no local onde ele estava, já não tinha como mexer na passagem do Rodrigones e sugere que ele se encaminhe diretamente ao balcão da American para tentar fazer a troca. Rodrigones já começa a entrar em pânico. Isso significaria ir pro outro lado do aeroporto, ter que sair da área de segurança, pegar o trenzinho, passar novamente pela inspeção raios-X (raios múltiplos na verdade) pra tentar achar um agente com boa vontade pra fazer a troca e correndo o risco de encontrar o voo lotado (foi por isso que ele não pegou esse voo direto quando fez a reserva inicial).
Por intervenção divina, a agente local diz que a supervisora autorizou a transferência do Rodrigones pra um outro voo da própria empresa que me levaria até um outro aeroporto, a 30 min do aeroporto onde ele deveria ir, e que eles pagariam um táxi pra levá-lo ao seu destino final. Sem pestanejar, ele aceita a oferta. Depois de muito vai e volta, com direito a impressora que imprime os cartões de embarque ter enguiçado, Don Rodriguez embarca, sai às 23:30 e chega às 7 da manhã num daqueles voos que vc só consegue dormir em intervalos de 15 min pq não acha uma posição confortável pra ficar. O agente no destino final já estava ciente do caso de D. Rodriguez e o táxi é resolvido na hora.
Resultado da epopéia: 8300km voados em 24 horas, e apenas 2 sanduíches ingeridos nesse meio tempo.
Rodrigones está mandando CV para vaga de vendedor de coco na praia. Hj mesmo.












