Como relatei no post anterior, meu fim de semana não foi só de corrida. Aproveitei pra fazer um belo de um passeio.
Campo Rural
Já estava em Orlando a trabalho (é sério, viu!) durante a semana. A família chegou na 6a. feira no final do dia. No sábado, a patroa programou uma atividade bucólica. Fomos para uma fazenda pertinho da Disney que tinha diversas árvores de frutos cítricos. Os interessados vão lá e colhem o que querem pagando $10 por um saco pequeno (algo em torno de 10kg) ou $20 pelo grande (aproximadamente 20kg). Ficamos andando com um carrinho aberto pra não ter que carregar o saco no braço e obviamente a pimpolha aproveitou pra ser rebocada no carrinho, no melhor estilo dondoca… Foi um passeio diferente. Pra quem estiver interessado, segue o link: http://www.showcaseofcitrus.com/
De lá, fomos para o parque estadual Lake Louisa lá por perto e fizemos um mini-picnic com direito a sanduíche “estilo natural” que tínhamos comprado antes da “colheita” das laranjas. O parque é muito bem cuidado e está entre os 25 melhores parques para trilhas nos EUA, além de estar bem preparado para pesca e passeios a cavalo. Como o objetivo era só relaxar, não fizemos nenhuma trilha mas ficou aquela vontade de voltar e explorar melhorar o parque.
No Domingo, fomos para o parque Hollywood Studios da Disney, aproveitando que na última viagem tínhamos comprado ingressos para 3 dias e restava um dia para ser usado. O ponto alto foi ter arrastado a patroa pra andar no Rock’n'Roller Coaster do Aerosmith, já que ela tem pavor de montanha russa. Saiu tremendo que nem vara verde e quase rouca de tanto gritar (mas no fundo, bem no fundo, acho que ela gostou! huahuahua).
Lançamento da Atlantis
Segunda Feira, dia 17 era o grande dia. O lançamento da nave espacial Atlantis estava marcada para as 14:38 (horário local). Como já conhecíamos o Kennedy Space Center (KSC), localizado no Cabo Canaveral, decidimos não ir pra lá. Na verdade, parece que existe um ingresso especial que te dá direito a assistir ao lançamento de um lugar privilegiado, mas infelizmente já estava esgotado. Sendo assim, as opções eram assistir ao lançamento de Titusville ou Cocoa Beach, 2 cidades próximas. Optamos pela primeira.
Titusville fica a 1h de carro de Orlando. Teoricamente não era difícil chegar mas, no meio do caminho, o GPS do carro morreu pq o fuzível do acendedor de cigarros queimou. Momentos de apreensão. Apelamos pro Sto. Google Maps no celular e chegamos no Space View Park (nome bem sugestivo), às 10:30. E rumando a Titusville, o céu estava fechado. Estávamos acompanhando o facebook do KSC (pois é, a NASA tb está ligada na nisso!) e a atualização era de que existia 70% de chance do tempo permitir o lançamento (no dia anterior era 90%). Mais tensão. Estacionamos num gramado em frente ao parque, onde o suposto dono cobrava $10. Pagamos pela comodidade.
O pessoal mais “pró” já estava instalado, com suas cadeiras de praia, tripés, binóculos e afins. Como ainda faltavam 4h, fui correndo até uma loja de conveniência/fármacia que ficava a 2 quarteirões de lá, e comprei 3 cadeiras de praia pra gente. Assim, “demarcamos” nosso território. A dificuldade seguinte foi identificar a plataforma de lançamento. Eram 15 milhas de distância. A conversa era mais ou menos assim:
“É aquela estrutura que tem as luzes em volta piscando?”
“Não, aquelas luzes são dos para-raios. Aquela plataforma não é pra lançamento”
“Tá vendo aquela mancha grande escura?”
“Tô!”
“Do lado esquerdo daquela mancha, tem duas estruturas. A maior é a Atlantis!”
Resolvido este “pequeno” detalhe, a patroa foi comprar um hamburguer no Burger King da esquina. Demorou pq a fila já estava na rua. E realmente, o lugar começou a ficar cheio. Enquanto isso, o facebook dizia que os astronautas já estavam dentro da nave, faltando 2h pro lançamento. Fiquei pensando “E se bater a vontade de conversar com o Wanderley? Será que tem cordinha pra puxar? Será que tem pinico embutido no traje espacial? Será que eles usam rolha?” Pra mim, questões essenciais. Sem isso esclarecido, eu não me inscreveria num programa de astronautas.
De vez em quando sobrevoava um helicóptero. O entendido da esquerda esclarece: “É da guarda-costeira. Estão fiscalizando.” O pessoal tb fica tenso pq um cara numa lancha estaciona no meio do rio, um pouco à esquerda do nosso campo visual. Se ele resolvesse mudar de local, não duvido que alguém lançasse um míssil pra arrancar o cara de lá. Tinha de tudo um pouco. Obviamente todos curiosos, mas alguns fanáticos (ou seria lunáticos), outros de passagem e alguns que se diziam veteranos de testemunharem lançamentos.
Faltando 30 min, um fato inesperado. O tempo, até então semi- encoberto, começa a abrir e se forma um buraco azulzão no céu. Perfeito! O pessoal da barraquinha de camisetas, bonés e chaveirinhos tem alto-falantes que estão sintonizados na rádio da Nasa. A transmissão confirma que todos os sistemas estão “GO!”. Já nesta altura do campeonato, o parque está praticamente intransitável tamanha a quantidade de gente. Mesmo assim, os “espertoman” aparecem e dão um jeito de pular os arbustos que dividem o parque do rio e se instalam por lá. Como era uma baixada rochosa, não estavam atrapalhando e ninguém reclamou (a não ser aqueles que tiveram seus cobertores e toalhas pisoteados).
Faltam 10 min. 5 min. 2 min. Inicia a contagem regressiva pelo rádio. Começamos a ver a fumaça dos motores (eles são acionados antes da contagem chegar ao zero). E de repente aparece uma bola de fogo. Eu estava achando que não ia ver muita coisa, pela distância que estávamos. Mas a bola de fogo era muito intensa. E a nuvem de fumaça que se formou era mais impressionante ainda. E a galera começa a gritar em êxtase. Mas o que mais me impressionou foi o momento em que o som chegou (lembra daquela história do clarão do raio chegar antes do barulho do trovão?, pois é). Foi um estrondo enorme e parecia que vinha acompanhado de uma onda de choque. Mais gritaria da galera. Nesse ponto, a Atlantis começou a fazer uma curva (seria ilusão de ótica?) e se escondeu atrás de algumas nuvens, mas mesmo assim pudemos ver a separação dos tanques de combustível.
O lançamento em si durou pouquíssimo, coisa de um ou dois minutos e a única coisa que ficou foi a trilha de fumaça no céu. Mas a expectativa que se criou e a vibração do pessoal assistindo foi digna de uma final olímpica dos 100m rasos. Infelizmente no vídeo quase não dá pra ouvir o som dos motores, mas em compensação o que se houve de máquina fotográfica clicando é uma enormidade! rs
Espero que a minha filha guarde essa memória pra contar pras próximas gerações que ela já presenciou um lançamento. E o fato mais relevante é que os ônibus espaciais serão aposentados no ano que vem. Logo, poucos ainda terão a chance de ver um lançamento como este. Ficamos satisfeitos com a experiência e quem sabe retornemos pra ver o próximo lançamento mais de perto.
Fotos:
- Uma galera mais de vinte
- … and we have lift-off
- Zoom na Atlantis
- Para o alto e avante
- Muitos filmes e cliques da Atlantis
- “I was there”













