Odômetro Ligado

Corridas, esportes, família e o que mais der na telha!

Space Coast Half Marathon: Minha quinta meia maratona

Publicado por satrijoe em 04/12/2011

(Tive a oportunidade de fazer o meu relato para a Contra-Relógio no Podcast #31 da revista. Espero que curtam!)

Motivado mais uma vez pelo amigo Ivo Cantor que fez esta prova no ano passado, inscrevi-me para esta que é a maratona mais antiga da Flórida e este ano celebrou sua 40ª. edição. Para mim foi também uma questão de conveniência já que passei o final de semana prolongado em Orlando, que fica a apenas a uma hora de Cocoa (cacau em inglês), local da largada. Para quem não sabe, na 4ª. quinta feira de Novembro, os Estados Unidos celebram o dia de Ação de Graças que é o feriado mais importante no ano (mais até que o Natal). Nada melhor do que uma corrida para compensar as extravagâncias gastronômicas da ocasião, quando tradicionalmente se degusta um belo peru e vários acompanhamentos.
A prova tem este nome por ser organizada pelos Space Coast Runners que por sua vez tem esse nome devido à principal atração da região do Cabo Canaveral: O Kennedy Space Center. De lá foram lançados todos os ônibus espaciais além dos foguetes que fizeram parte do programa espacial americano desde 1968, incluindo o programa Apollo que levou o homem à lua. E fomos brindados com uma grata coincidência. No Sábado da entrega dos kits houve o lançamento do foguete Atlas V que levou o Mars Science Laboratory numa missão que irá durar 9 meses até seu objetivo final, a aterrisagem em Marte. Ou seja, aqueles que foram logo cedo retirar seus kits tiveram a sorte de assistir de perto ao vivo e em cores o lançamento de mais um foguete.


Por uma questão de conveniência, eu e minha família escolhemos um hotel que ficava mais próximo da largada mas que estava a meia hora de distância da NASA. Tivemos apenas tempo de deixar as malas no quarto e seguir correndo para a expo. A retirada do kit foi super rápida o que me permitiu entrar logo na feira onde eu tinha um objetivo: conhecer Kathrize Switzer, a primeira mulher a correr a maratona de Boston em 1967. Ela estava quase terminando sua sessão de fotos e autógrafos então mais que depressa entrei na fila e lá mesmo acabei pegando um exemplar de seu livro “Marathon Woman” para conseguir um autógrafo. A pessoa que estava na minha frente estava fazendo sua primeira maratona e recebeu um grande abraço de incentivo da Kathrine. Quando chegou a minha vez ela perguntou se eu tinha algum objetivo especial e a única coisa que me veio à cabeça foi tentar fazer a prova em menos de 2h. E foi o que ela escreveu na dedicatória: “Let’s go – sub-2h”. Até ela ficou meio frustrada com a falta de agressividade/originalidade mas fazer o quê… Pelo menos tirei uma foto bem legal.


Fomos tarde porque após o término da entrega dos kits a organização ofereceu um jantar de massas ao módico custo de US$50 tendo como pano de fundocima o foguete Saturno V. Como o foguete está em exibição já dentro do complexo de lançamento, fomos transportados em ônibus que fazem o tour oferecido para os visitantes “normais”. Como já havia escurecido não pudemos desfrutar de todas as atrações do tour mas mesmo assim pudemos ver o VAB (vehicle Assembly Building) onde foram construídas todos as naves do programa espacial e que é considerado o maior edíficio de um único andar no mundo.
A comida em si infelizmente não foi lá muito memorável. O cardápio que consistia de salada, 3 diferentes tipos de massas, frango, peixe e sobremesa era satisfatório mas a preparação não estava lá essa brastemp. O ponto alto do evento foi a presença de 3 personalidades: Um corredor que participou da primeira edição da maratona, um ex-astronauta e Kathrine Switzer. Obviamente as atenções estavam voltadas para Kathrine que contou em detalhes como foi a sua história na Maratona de Boston e seu trabalho em prol do pedestrianismo feminino que culminou com a inclusão da maratona feminina na programação das Olimpíadas de Los Angeles em 1984. O nosso Brasil foi mencionado também já que fez parte do circuito de corridas da Avon, da qual Kathrine foi diretora esportiva no final dos anos 70 e início dos anos 80, e foi usado como exemplo para mostrar que havia interesse do público feminino nas corridas de rua apesar de ceticismo dos dirigentes da época.


A prova
Como é de praxe acordei uma hora antes da saída para ter meu bate-papo tranquilo com o Wanderley Cardoso. A família acordou um pouco depois e como zumbis saímos todos em direção à largada. Foi super-fácil achar um bom lugar para estacionar bem próximo à largada. Como é bom não ter que se preocupar com os flanelinhas! hehe Como tinha tempo de sobra ainda tive tempo para mais um tira teima com o Wanderley e fazer um aquecimento antes de me encaminhar para a largada. O início pontual da prova esteve em risco já que durante a madrugada um carro havia se chocado com um poste que caiu e acabou bloqueando o trajeto da maratona. A companhia de eletricidade foi acionada e conseguiu liberar o percurso apenas 30 minutos antes da largada, evitando assim a necessidade de um desvio ou a transformação do evento em um cross country com obstáculos.


Enfim às 6:15 da manhã, com a temperatura na casa dos 22 ºC e tempo nublado, largamos vendo no telão o vídeo de lançamento de um ônibus espacial. O trajeto era plano e na maior parte do tempo ia margeando a costa brindando os corredores com uma boa visão do mar. Por outro lado essas áreas abertas também traziam muito vento que às vezes dificultavam um pouco a manutenção do ritmo. Os corredores da maratona fizeram um volta logo no primeiro quarteirão e seguiram em direção norte, percorrendo 10,5km e retornando na direção sul para encontrar o percurso feito pelos que optaram pela meia maratona.
A organização colocou a disposição marcadores de ritmo tanto para a maratona como para a meia maratona. Como estava posicionado um pouco mais atrás na largada fiquei um pouco distante dos marcadores e não pude me beneficiar dos seus “serviços”. Fui controlando meu ritmo através do GPS e senti que estava num ritmo confortável nos primeiros kms. Quando o vento bateu mais forte eu não tive vergonha de me “esconder” atrás de um corredor que estava próximo. Mas como o dito cujo insistia em ficar cuspindo para os lados decidi passá-lo e seguir adiante.
Os postos de hidratação estavam distribuídos aproximadamente a cada 3km. Como é de praxe eles usavam copos abertos e sabendo disso usei um recurso que aprendi de meu chefe-corredor-ironman: levei comigo um canudo preso sob o meu GPS. Evita engasgar e até agiliza a hidratação. Outra dica é já ir gritando o líquido que você quer ao se aproximar dos postos já que ofereciam água e gatorade misturados. Faltando menos de 1km para fazer o retorno e tomar rumo norte avistei os marcadores de ritmo compatíveis com o meu objetivo sub-2h e achei que tinha chance de alcançar ao menos um deles.
A marcação do percurso foi feita em milhas e os relógios com as parciais estavam posicionados nos kms 5, 10 e 15. Fui bem até este último relógio. Talvez o esforço para tentar alcançar os marcadores de ritmo tenha prejudicado minha estratégia porque a partir daí fiquei cansado. Vi os líderes da maratona já vindo na direção sul e também um motorista perdido em meio aos corredores e alguns caminhantes. Pelo menos ele não parecia estressado. Esse foi realmente o único ponto negativo da prova: o trânsito não estava bloqueado e a maioria das ruas estava sendo controlada por voluntários que solicitavam aos motoristas que procurassem caminhos alternativos. Dentre os locais que estavam assistindo a corrida havia uma banda de adolescentes. No percurso de volta vi dois deles correndo com tubas atrás de duas corredoras. Após alguns metros elas perceberam o que estava acontecendo e todos em volta se divertiram com a cena.
Voltando à minha corrida, eu vinha alternando posições com um corredor que caminhava e logo voltava a correr enquanto eu ia num ritmo bem mais lento que o do início. Comecei a sentir dores abaixo da costela mas segui. Por volta do km 20 o estômago embrulhou e me vi caminhando em 2 ocasiões. Voltei a correr faltando uns 500m para a conclusão. Quando chegamos ao parque que abrigava a linha de chegada o percurso ia por um caminho de tijolos que era razoavelmente estreito. Decidi que era hora de fechar com dignidade e fazer um mini-sprint. Pedi passagem para duas corredoras e acabei indo pelo meio das duas. Acho que uma delas não gostou muito e decidiu me perseguir. Fomos juntos até faltar uns 50m quando coloquei velocidade o suficiente para deixá-la para trás. Confesso que fiquei com ânsia logo após a chegada mas passou e pude conferir meu tempo: 2h03’00. Um tempo decepcionante para quem já fez 1h51’ e estava com esperanças de voltar a fazer sub-2h. Fiquei devendo para a ídala e para mim mesmo.


A medalha de concluinte era muito bonita, com a inscrição dos 40 anos e um ônibus espacial. A organização ofereceu um café da amanhã reforçado incluindo panquecas, pizza e hamburguer e suco da laranja original da Flórida. Lá mesmo já tive oportunidade de conferir meu tempo na listagem oficial da prova. Depois de tirar fotos ao lado do uniforme de astronauta e do ônibus espacial ainda pude assistir a chegada do vencedor da maratona, um atleta da Nicarágua que estava em busca do índice olímpico. Foi uma prova bem organizada que ainda tem a vantagem de estar a apenas uma hora de distância de Orlando. Diversão para as crianças e diversão para os adultos. Recomendo!

Resumo da Peleja

Número de Peito (bib): 3334
Tempo Bruto: 2h04’43″

Tempo Líquido: 2h03’00″ (parciais: 5km 28:37, 10km:56:26, 15km: 1:24:38

Colocação: 513 de 2178 (geral), 63 de137 (40 a 44 anos)

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Baleias Invadem a Flórida

Publicado por satrijoe em 18/10/2011

Ainda Inteiros - antes da largada

E neste último Sábado dia 15 participei da 12a. “Race for Hope” em Delray Beach, prova organizada pela Aid to Victims of Domestic Abuse (organização que ajuda as vítimas da violência doméstica).

Essa prova não estava no meu calendário mas tive a sorte de tomar conhecimento dela através do amigo Ivo Cantor. O Ivo se encontra em terras Floridianas, devidamente acompanhado por sua esposa Marly, em visita a uma de suas proles que vive por estas paragens. Foi durante um almoço que tivemos no fim de semana anterior que ele comentou que estava inscrito para essa prova. Interessei-me na hora já que padecemos de uma escassez de provas de 10km nesta região. No dia seguinte já estava com a inscrição feita.

Combinei de passar para apanhar meu companheiro de peleja às 6h30. Como ele estava hospedado perto do local da prova, era mais do que suficiente visto que a largada estava programada para as 7h30. No horário combinado lá estavam os dois aguardando naquela penumbra que antecede os primeiros raios de sol. O Ivo mal teve tempo de relatar suas perpécias tratando de retirar seu kit no dia anterior e já estávamos estacionando o carro num parque localizado a uns 200-300m do parque onde se daria a largada propriamente dita.

A ausência de flanelinhas e a disponibilidade de vagas grátis causaram admiração aos visitantes brazucas. Não sei se os que chegaram mais em cima da hora tiveram a mesma facilidade já que as vagas eram limitadas e estávamos no meio de um bairro bem residencial. Meio sem convicção caminhamos em direção sul onde deveria estar a largada. Dona Marly seguia calada deixando pra nós o papo de corredor pré-prova.

O parque já estava com a maior parte da infraestrutura montada, faltando apenas o pessoal do café da manhã. A retirada do kit foi sem fila e o único porém do evento foi não terem mais a camiseta no meu tamanho. No âmbito pessoal, a minha torcida pessoal/assessoria de logística não pode comparecer já que a pimpolha tinha treino de natação e não poderia estar presente.

Aproveitei que ainda estava cedo e fui ter meu último papo com o Wanderley Cardoso. Apesar do parque possuir instalações próprias, a organização tinha providenciado alguns poucos banheiros químicos. Como estes não tinham fila, dei preferência por seu uso. Foi bom porque mais tarde reparei que mesmo ali havia filas. Esse foi outro ponto elogiado por meu compatriota: mesmo após a prova quando ele usou das instalações para trocar a camiseta (que viria a destrocar mais tarde por um bom motivo), o “porta-potty” ainda estava decente e contava com um espelho com o qual ele pôde ajeitar a maquiagem para seu momento de fama! rsrs

Voltei ao carro para guardar meu kit e aproveitei para fazer um trotinho-aquecimento bem meia boca. Na volta ao parque, passei pelo quiosque de um dos patrocinadores do evento que estava distribuindo água em garrafa e garanti uma para mim. Seria a minha hidratação durante a prova para assim não depender dos tradicionais postos montados no meio do caminho. O pessoal da organização ainda promoveu uma sessão de alongamento mas eu e Ivo preferimos seguir para o local da largada e fazer (mais) um aquecimento. Não havia um pórtico de largada propriamente dito mas sim um banner vertical na lateral da rua. O pessoal estava parado dos dois lados do banner e logo a organização pediu para todos passarem para o lado correto para que pudessem dar a largada.

A corrida

O Ivo tinha comentado que ia buscar um tempo próximo dos 50 minutos e comentei que ia tentar acompanhá-lo. Não cheguei a ouvir nenhum tiro, buzina ou coisa que o valha mas como a pequena massa começou a se mexer, fomos atrás. O início foi bem complicado. Pelo que pude apurar, a prova de 10K foi uma novidade para a edição deste ano do evento. Até os anos anteriores a prova consistia de uma corrida/caminhada de 5k. E foi esse pessoal da caminhada que embaçou na largada. Tinha gente com carrinho de bebê e com cachorro na coleira. Driblar esse pessoal foi difícil e só conseguimos desenvolver um ritmo decente depois que saímos da ruazinha lateral em que estávamos e ganhamos a avenida beira-mar. Apesar de tentar minimizar o prejuízo no primeiro km, o GPS registrou preocupantes 5’15″ mas eu ainda corria ao lado de Ivo que ia em seu ritmo que aparentava não exigir um esforço maior.

O sol já tinha raiado mas para os padrões do Sul da Flórida a temperatura estava amena, próxima aos 26ºC. Infelizmente não estava amena o suficiente e senti o esforço. Antes de completar o segundo km eu já via o Ivo se distanciando de mim. Vi logo que não era dia para tentar um RMP e deixei de lado o relógio a partir desse momento, até para não desanimar. O percurso era simples. Ia em direção norte pela beira-mar e próximo aos 2.5km fazia um retorno pela mesma avenida. Quem fazia os 5km entrava no parque onde estava o pórtico de chegada, enquanto quem fazia os 10km seguia adiante para dar mais uma volta pelo mesmo percurso. Uns 100m antes do primeiro retorno vi o amigo Ivo vindo em sentido contrário. Tive apenas tempo de avisar que tinha cansado para que ele seguisse adiante no ritmo dele, sem se preocupar comigo.

Antes mesmo de chegar no 4o. km eu já tinha perdido o Ivo da minha alça de mira. Tive que encontrar outros coelhos para manter minha motivação mas os coelhos insistiam em ir embora rapidinho. Logo chegamos ao parque e a grande maioria dos corredores estava entrando à direita para completar os 5km. A sinalização era boa e havia vários voluntários para indicar o caminho correto. Neste novo retorno, acabei não cruzando com o Ivo e concluí que ela já estava retomando a avenida beira-mar enquanto eu circundava o quarteirão pelas ruazinhas menores.Ao adentrarmos na avenida beira-mar pela segunda vez senti que o vento tinha ficado mais forte. No pós-prova, enquanto trocávamos “figurinhas” a respeito da corrida, o Ivo comentou que tivera a mesma percepção. O fato é que meu ritmo foi ficando cada vez pior.

A essa altura do campeonato, os corredores eram poucos e apenas um senhor que tinham uns 10 anos a mais que eu é que era pangaré o suficiente para me acompanhar. Não chegamos a conversar apesar dele ser do tipo falante. Na maior parte do tempo ele fazia suas gracinhas com os voluntários dos postos, com os policiais ou até mesmo com os poucos residentes que vieram às ruas. Enquanto isso, outros corredores que estavam com gás, vinham e nos despachavam. Mais tarde, revisando as parciais no Garmin vi que cheguei a lentos 5’52″ no oitavo km.

Finalmente olhei o relógio e vi que ainda dava pra resgatar um sub-55. Quando faltava 1km o meu colega falante resolveu anunciar quanto tempo faltava para terminar a prova. No segundo anúncio eu resolvi acelerar porque aquilo começou a me dar nos nervos. Quem era ele pra dizer em quanto tempo EU ia terminar? E se eu fosse um discípulo de Marilson apenas aguardando para ligar os turbos? Digamos que eu não cheguei a ligar o turbo mas pelo menos destravei o freio de mão. Quando avistei o pórtico, vi que o relógio estava para chegar nos 55 min o que justificou o sprint final. O tempo oficial foi de 54’56″ enquanto o meu relógio registrou 54’44″, confirmando a minha suspeita de que não havia sensor na largada.

A Invasão Baleias

Após cruzar o pórtico, recebi uma toalha molhada e não levei muito tempo para encontrei Ivo e Marly. Ivo tinha terminado em 52’23″ (tempo bruto) e estava 100%. Ele ainda trajava seu manto coral representando a já mundialmente conhecida equipe Baleias. Devo dizer que a coloração abóbora do uniforme baleias ajuda muito na identificação durante a corrida apesar de ter sido iludido por um corredor de um grupo local que vestia uma camiseta com cor similar.

Como já era sabido não haveria entrega de medalhas de concluintes, apenas premiação para os 3 primeiros colocados em cada faixa etária. Senti que o Ivo tinha cacife para beliscar a premiação em sua categoria e insisti para conferirmos a premiação. Ele, preocupado em não incomodar, já até tinha trocado de roupa e estava pronto para retornar à sua casa. A premiação já havia começado com as faixas etárias mais novas para a prova de 5k. Nisso, encontramos a listagem impressa com os resultados provisórios. Procura daqui, procura dali e a minha suspeita se confirmou. Equipe baleias seria chamada ao pódio! Como dona Marly tinha dito que a câmera estava com a bateria fraca, fui correndo de volta para o carro buscar o celular para garantir que a premiação seria registrada.

Nessas horas essas premiações parecem intermináveis, principalmente porque nos Estados Unidos as faixas são em blocos de 5 anos, o que dá muito mais chance para os atletas serem reconhecidos mas o que faz com que a cerimônia seja bem mais longa. O lado positivo foi que Ivo pode esperar para que sua camiseta baleias secasse um pouco mais já que ele fez questão de receber sua medalha trajando novamente o manto coral. Abaixo o vídeo registrando esse fato histórico:

Minutos depois, testemunhamos um momento muito bonito. Além das medalhas a organização entregou troféus para policiais e bombeiros. Esses toféus eram do tipo temporário ou, no linguajar local, itinerantes, ou seja, ficará na posse temporária daquele corredor por um ano, até a realização da corrida ano que vem. Um tempo após essa premiação, o bombeiro que recebeu o troféu voltou para reconhecer que um colega havia chegado antes e fez questão de fazer a retificação. Difícil de ver esse tipo de atitude hoje em dia. Pelo menos, eles serviam no mesmo batalhão e o troféu ficaria “em casa”.

Pessoalmente a prova serviu para medir como estou neste momento da preparação. Confirmou que não estou pronto para fazer minha 2a. maratona e que provavelmente também devo pegar leve na próxima meia maratona. Mas acima de tudo, gostei muito de poder correr com uma pessoa que admiro muito pela disciplina e pela forma simples e direta como encara a vida e a corrida. Ivo é bem do estilo “Veni Vidi Vici… e fui embora”. E além disso, coincidimos em vários pontos (somos a favor dos pisantes borrachudos mesmo, né Ivo? hehe)

Tiramos mais uma foto para registrar esse momento “histórico”. Agradeço a presença e cia. de Dona Marly que esteve na torcida e trabalhou como fotógrafa e guarda-volumes (in)voluntária! kkk

Ivo ainda mais contente com a medalha no peito!

Resumo da Peleja:
Número de Peito (bib): 449
Tempo Bruto: 54’56″
Tempo Líquido: 54’44″
Colocação: 67 de 151 (geral), 5 de 9 (40 a 44 anos)

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Tô Voltando

Publicado por satrijoe em 18/09/2011

Completei a 5a. semana de treinos em preparação para a meia maratona em Cocoa Beach. Confesso que as 4 primeiras semanas não foram muito boas principalmente no quesito longões. Foram todos sofridos, interrompidos por várias caminhadas e invariavelmente abaixo da quilometragem prescrita pela planilha de treinamentos que estou seguindo.

Esta semana surgiram os primeiros sinais de que as coisas estão melhorando. Finalmente o treino de ritmo do meio da semana saiu conforme o planejado (8km a 5:18/km – o objetivo era ficar entre 5:10 e 5:20) mas o melhor ficou para o longão. Fui ainda mais lento que nas semanas anteriores e consegui fazer 18km sem caminhar. Nem me preocupei com o pace. Meu objetivo era simplesmente não caminhar. Nesse treino também me dei conta que já não aguento mais o gel GU que venho tomando. No segundo sachê já deu uma embrulhada no estômago que me deixou mal. Vou procurar alternativas esta semana.

Agora terei um período meio complicado porque em 2 semanas vou fazer uma viagem a trabalho que sei que vai me derrubar. Vamos ver como vou conseguir me virar. Vou levar minhas roupas de corrida mas vou para território totalmente desconhecido. Será uma ótima oportunidade para um Treino Turismo Pitoresco.

PS 1: Espero que este post limpe a barra depois do post escatológico anterior

PS2: Agradeço as inúmeras mensagens de feliz aniversário que recebi dos amigos. Valeu!

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Corrida, Subida e Wanderley

Publicado por satrijoe em 05/09/2011

Hoje é dia do trabalho aqui nos States. Pois é, o país é do contra. Todo mundo usa metro e Celsius, aqui se usa jardas e Fahrenheit. Todo mundo celebra o dia do Trabalho no dia 1o. de Maio, aqui é no dia 5 de Setembro. Tem uma explicação pra isso mas fica pra outro post.

A pimpolha tinha treino de natação de manhã e pensei em pedalar um pouco. Infelizmente não consegui consertar o problema no freio traseiro e acabei decidindo correr mesmo. Como não queria treinar muito forte depois dos 15km de ontem, planejei umas subidas num micro-morro perto do clube de natação.

Depois de 3km de aquecimento, cheguei na base da subida. Confesso que já cheguei meio cansado e a primeira subida foi um desastre. Lá no topo, quase tropeçando na língua, notei que estava diferente. O banco de metal tinha sido arrancado de lá bem como o cesto de lixo.

O mais esquisito foi ver uma bolinha marrom brilhante andando sozinha no chão. Cheguei mais perto para entender aquele fenômeno paranormal. Era um cocô “cravejado” de moscas brilhantes que estava sendo empurrado por um besouro também verde-azulado. E olha que o cocô era bem maior que o besourinho mas ele era bem esforçado. Logo mais adiante tinha um cocô maior ainda sendo empurrado por dois besouros. Só que esses dois eram do tipo os Trapalhões. Cada um empurrava pra um lado e o cocô não saia do lugar.kkk

Fiz mais uma subida mas como vi que não ia render muito fiquei só nessas duas. Pra piorar, o cheirinho lá em cima não era dos mais convidativos (desculpa esfarrapada).

Lição do dia: os restos de uns são o banquete de outros. Ou: quando um pinguim espirra na Antartida, um cocô se mexe num morro da Flórida.

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Sério mesmo?

Publicado por satrijoe em 04/09/2011

Crédito: The Guardian - Mark Ralston/AFP/Getty Images

Pra quem não acompanhou, o rapaz da foto, Abel Kirui, sagrou-se bicampeão da maratona no campeonato mundial de atletismo que se encerrou hoje em Daegu, Coréia do Sul. O rapaz, de 29 anos, fechou a maratona em 2h7’38″ e foi acompanhado no pódio pelo compatriota Vincent Kipruto e pelo Etíope Feyisa Lilesa.

Três fatos a se destacar: Kirui se desgarrou no km 25, quando ainda era acompanhado por outros 4 corredores, e foi sozinho até o final. Ele fez estes 5km (do 25 ao 30) em 14’18″, os mais rápidos na história da maratona em mundiais. E o que mais me assombra: Ele não estava nem selecionado para representar o Quênia no mundial. Só depois que 6, isso mesmo SEIS, outros corredores desistiram de participar (para poderem se concentrar em provas que pagam mais) é que ele foi convidado a participar. E pasmem, apesar dele ser o bicampeão mundial da Maratona ainda não tem a passagem garantida para as Olimpíadas no ano que vem.

Esses quenianos são de outro mundo. 14’18″ significa um pace de 2’52″/km. Eu não consigo fazer isso nem em um tiro de 200m (não que eu seja parâmetro de comparação…). Como disse em outro post, vou começar a treinar comer cachorro quente!

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Marathon – Conquistada!

Publicado por satrijoe em 03/09/2011

Já que conquistar os 42.195m não é tarefa fácil, tive que apelar. Fui lá e conquistei a cidade de Marathon! hehe Para quem não conhece, trata-se de uma cidade de seus 8 mil habitantes localizada no arquipélago conhecido como Florida Keys. O nome Keys é derivado do espanhol “cayo” que quer dizer ilhota. Já o nome Marathon foi herdado durante a construção da ferrovia que ligaria Key West (a ilha mais ao oeste) à Miami. Devido ao ritmo frenético de construção, os trabalhadores se sentiam numa maratona e o nome acabou sendo usado para uma das estações de trem. Pra se ver como o pessoal tinha um gosto diferente para colocar nomes nas coisas: A ilhota onde começa (ou termina) Marathon se chama Vaca Key, conforme pode ser visto na foto.

Agora, voltando ao tema das corridas, resolvi fuçar meus posts do ano passado para ver como andava minha preparação para a primeira maratona. O que notei? Já estava bem mais adiantado nos treinamentos: Há uno atrás eu já tinha feito 19 treinos de corrida e 10 de bicicleta, e comparativamente este ano estou no treino 7 e 4, respectivamente. Ano passado eu tb estava sofrendo choramingando com a temperatura. Este ano, estou sofrendo mais ainda. Perguntei pra minha esposa quando que a temperatura começava a melhorar. Segundo ela, final de Outubro, começo de Novembro.

Então, como vou aplicar os ensinamentos? Vou treinar levando em conta as minhas limitações e as minhas capacidades. O que isso quer dizer? Meus objetivos de tempo serão baseados no que conseguir render naquela semana. Se for abaixo do planejado, fazer o quê? Baixamos o objetivo pra semana seguinte. Isso não quer dizer que vou baixar de pangaré para bicho-preguiça. Sei que tenho espaço para progredir. Este ano, tenho uma bike decente e estou animado para usá-la como complemento dos meus treinos. Talvez seja o momento de encarar uma musculação. Vou ver como consigo encaixar isso nos meus horários.

Vou fugir um pouco da minha planilha de treinamentos no que tange aos longões. Semana passada, por exemplo, foi difícil. Nem fui atrás de tempo, estava trotando no mesmo ritmo (ou até mais lento) que fiz a meia da Asics há 3 semanas atrás. Acho que não vale a pena ficar maltratando o corpo sem ver algum resultado ou progresso. Pretendo rodar entre 18 e 20 km no máximo até me sentir bem. Espero que isso aconteça lá para Outubro conforme previu a patroa.

A resolução importante foi a de que ao invés de fazer a maratona no final do ano, vou fazer uma meia maratona. Não dá pra fazer uma maratona bem feita sem longões decentes. Então a maratona fica para o começo do ano que vem. Tenho 2 boas opções aqui na minha região: Miami e Fort Lauderdale. A meia será a Space Coast que fica no Cabo Canaveral. Essa promete ser muito legal por ser toda relacionada ao espaço sideral e astronautas.

Já ia me esquecendo: também fiz um longuinho de 16km ao redor de Key West, como tinha feito ano passado. Desta vez peguei um toró que me deixou molhado até os ossos. Mas por sorte não tive problemas maiores com bolhas que é sempre uma preocupação nessas condições. Depois disso rolou até um passeio de caiaque com a família. Pelo menos fiquei sentado o tempo todo! kkk

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Não é minha vocação…

Publicado por satrijoe em 17/08/2011

… ser mecânico de bicicletas.

Depois das dificuldades de simplesmente encher um pneu, senti que o freio não estava bem ajustado e tentei arrumar eu mesmo mas não ficou bom. Acenei a bandeira branca e levei a magrela pra oficina. O mecânico olhou e fez só um ajuste simples no cabo do freio que resolveu o caso.

No caminho de volta para casa o tal do Murphy fez das suas. O pneu traseiro furou. Até pensei em voltar empurrando a bike mas logo vi que ia acabar com a sapatilha. Tirei a sapatilha. Vi que ia acabar com a meia. Tirei a meia. Vi que ia acabar com a sola dos meus pés (estava fazendo um calor desgraçado e o asfalto chegou a fazer uma bolha no meu pé esquerdo). Solução: Trocar o pneu.

Tirar o pneu da bicicleta e a câmara de dentro do pneu foi fácil. Eu me compliquei foi na hora de colocar a câmera nova. Simplesmente não se acomodava dentro do pneu. Acertava em um ponto, saia em outro. Não entrava de jeito nenhum… Demorei uma hora pra recolocar a câmara no pneu. Daí fui encher o pneu com um cilindro de CO2. Na hora que a válvula abriu o cilindro, o gás escapou todo… Por sorte, eu tinha 2 cilindros. Consegui encher o bendito pneu para voltar pra casa, onde no dia seguinte ele esvaziou novamente. Tive que me resignar e ir pra oficina…

Lições:
#1 – Para recolocar a câmara, o lance é colocar um pouco de ar para ela tomar forma. Com isso, fica fácil ela se ajeitar dentro do pneu e depois na roda. Simples assim.

#2 – O cilindro já deve estar conectado à válvula do pneu antes de abrir o cilindro. Resolvi comprar um outro modelo de cilindro que tem um regulador na ponta.

#3 – Se um pneu furar durante a prova, espero que seja perto da área de transição! kkk

E pra quem quer aprender a fazer uma troca rápida, segue um vídeo bem didático:

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Golden 4 Asics SP: Minha Melhor Pior Prova

Publicado por satrijoe em 14/08/2011

Como diria Romário: "Valeu parceira!"


No dia 7 de Agosto corri a Golden 4 Asics em São Paulo, aproveitando que já tinha viagem marcada a trabalho. Foi um fim de semana bem movimentado e também bem divertido.

O Dia Anterior

Minha viagem de Miami a São Paulo ocorreu sem problemas mas obviamente cheguei meio baleado depois de 8h naqueles assentos que reclinam meio grau! Arrisquei e fui até o hotel na esperança de terem quartos disponíveis já às 8 da manhã mas me dei mal. Aproveitei para separar os ternos que ia usar e deixei-os na lavanderia para pegá-los na segundona. Depois disso fui reencontrar minhas meninas que não via desde o dia 19 de Junho. Finalmente Don Rodriguez estava aposentado para a temporada 2011! Como a agenda estava apertada, mal tive tempo de tomar banho e saímos para um almoço e assim encontrar nossos afilhados no Raposo Shopping. Uma felicidade poder abraçar os gêmeos que já estão super grandes.

Fui com a minha filha para a Fecomercio onde estava sendo realizada a Expo (feira) da Golden 4 Asics para retirada do kit. Encontrei muitos conhecidos por lá. O bate papo foi tão bom que infelizmente nem tive tempo de sentar para assistir a nenhuma das palestras e atividades programadas pela Asics. A única coisa que fiz questão foi de personalizar minha camiseta com o meu nome. Assim, se for assaltado de novo, o meliante vai ficar fazendo propaganda minha nas ruas! rsrs De qualquer forma, o processo de retirada do kit estava bem organizado e a fila foi rapidinha. Dizem que o almoço de massas oferecido estava gostoso mas como já tinha almoçado antes, não pude comprovar. Só achei que aliar o almoço com as palestras ficou meio ruim pq nem todo mundo estava realmente prestando atenção às palestras. Eu mesmo fiquei lá batendo papo e distraindo o pessoal…

De lá, fui buscar a minha esposa e sogra que estavam na casa de uns amigos que não víamos há tempos. Foi bom para colocar o papo em dia mas também não deu pra ficar muito tempo porque tínhamos a pizzada organizada pelo Colucci, personalidade master das corridas. Como a patroa preferiu ficar em casa para curtir a sua “mãinha”, fui até Cotia deixar a galera para voltar para Pinheiros onde a pizzada estava marcada. Me perdi um pouco até achar a dita cuja e depois mais um tempinho para achar onde parar o carro. Finalmente lá dentro, encontrei a galerinha. Não vou nem tentar mencionar todos que estavam lá pq tenho certeza que vou me esquecer de alguém. Só sei que o papo foi ótimo mas o pessoal da pizzaria não estava preparado para atender tanta gente hehe. Deixei um pessoal gente boa de BH no hotel na rua da Consolação e finalmente voltei para o meu hotel para me instalar e fazer os preparativos para a prova.

Antes da Largada

Como sempre faço, acordei cedo para os meus preparativos Wanderley Cardosísticos. Por sorte este dia o nobre cantor não estava muito a fim de papo comigo, o que foi um alívio. Meu café da manhã foi fraquíssimo. Tomei um suco de uva (em lata) e comi uma barrinha de cereal. Obviamente longe do ideal mas preferi não ficar inventando e despertar a ira de Wanderley. Por acaso mencionei que meu hotel ficava ao lado da largada? Pois é, melhor impossível. Da minha janela eu conseguia ver todo a movimentação do pessoal que vinha chegando para a Ponte Estaiada. Quando finalmente o sol raiou e a movimentação já estava maior, fui para a largada. Ainda passei na recepção para pregar a identificação na sacola que ia deixar no guarda-volumes. Como nem fita durex estava adiantando, acabei grampeando o número na sacola.

Em 5 min eu já estava no base da ponte. E lá encontrei 2 celebridades do mundo corrísitico-bloguístico: Fábio Namiuti e Guilherme Maio. Jogamos uma boa conversa fora (Guilherme, o plano da Space Coast Marathon continua de pé!) e também tive a sorte de conhecer o Leonardo Nista, outro blogueiro-corredor muito ativo lá de Campinas. Confesso que não estava muito preocupado com o aquecimento. Como minha prioridade era terminar a prova, ia usar os primeiros quilômetros como aquecimento. Na subida para a largada ainda reconheci o Valter Ide com quem tenho um amigo de trabalho em comum e já tinha trocado ideias sobre corridas. Entrei na minha baia (6:30-7:00/km) que inclusive escolhi na própria Expo, já que originalmente tinha escolhido a dos 5:00-5:30, nos remotos idos de Março quando tinha a ilusão de que ia tentar repetir meu melhor tempo. Lá na frente, encontrei a Alessandra Vanini com quem tinha conversado na pizzada da noite anterior e que estava lá para sua 1a. meia. Como ela estava correndo sozinha e ia num ritmo bem tranquilo, me ofereci para acompanhá-la. Seria a minha salvação!

A corrida

Como é de costume para quem larga lá atrás os primeiros metros até cruzar o pórtico de largada são de caminhada. Foram 3’42″ de caminhada para ser mais exato. Muito bom começar com uma descidinha, só relaxando o corpo. Nenhum problema com a dispersão. Já na base da ponte entramos na Marginal Pinheiros no contra-fluxo dos carros e com várias faixas à nossa disposição. Apesar de ser um percurso plano logo encontramos uma pequena subidinha nas proximidades do Shopping Cidade Jardim (aquele que já foi assaltado várias vezes…), mas que foi vencida com facilidade. O plano da Alessandra era fazer os primeiros 6 kms em 6’40″/km e depois entrar no ritmo alvo de 6’30″.

Só no primeiro km o meu GPS apitou próximo à placa de quilometragem da organização. Nos seguintes, ele foi sempre mais apressadinho, inclusive mais que o Garmin da Alessandra. É algo que vai me atrapalhar no futuro mas não esquentei nesta prova. Mas voltando à prova, nas proximidades da Ponte Eng. Ary Torres, que dá acesso à avenida dos Bandeirantes, escuto meu nome. Era o Danilo Friolani acompanhado pela Karina Taques que vinham em ritmo mais rápido e nos ultrapassaram. Até falei para a Alessandra que podíamos usá-los como coelhos mas logo se distanciaram. Algo me dizia que não seria a última vez que os veríamos.

Já estávamos correndo ao lado do muro do Jóquei Clube quando fomos alcançados pelo trio composto por Renata Moretti, Flavia Cabral e Guga Kamei. A Renata já tinha feito 9km já que sua intenção era cumprir os 30km da sua planilha, rumo à sua primeira maratona em Buenos Aires. Gostei de ver sua disciplina! Infelizmente logo depois vimos uma cena muito triste. Um corredor estava estirado no chão lá pelo km 4, já rodeado por outros. Mais tarde fiquei sabendo que ela havia sofrido uma parada cardíaca mas tinha sido reanimado. Pelo que fiquei sabendo graças a Deus ele se encontra fora de perigo.
Como já havia várias pessoas tentando prestar socorro, segui adiante já que eu não era a pessoa mais indicada para ajudar (fico sem saber o que fazer nessas horas). Esse momento de tristeza foi logo apagado quando vi minha família no canteiro central da avenida gritando por mim. Foi uma injeção de ânimo. Ia ter que dar um jeito de terminar a prova, independente da fraca preparação.

Esse é o verdadeiro exemplo de força de vontade

Ao final da Avenida do Jóquei entramos em um túnel que foi vencido com facilidade mas estava claro que não seria tão fácil no retorno já que estaria bem no final da prova, quando o corpo estaria em condições bem mais precárias. Mas um problema de cada vez… Fomos neste grupo maior num papo descontraído até o km 6 quando minha parceira de prova declarou: “Precisamos ir mais rápido”. Desculpei-me com o trio de corredoras poderosas e apertamos um pouco o passo. Vale mencionar que a hidratação na prova foi perfeita: água e isotônico a cada 3 km com fartura. Apesar de não ser meu costume, segui o exemplo da Alessandra e me hidratei em todos os postos. Também tenho que reconhecer que o staff durante a prova foi nota 10, sempre incentivando os corredores. Mesmo aqueles que não eram muito felizes com a escolha das palavras como aquele que soltou “É isso aí, pessoal. Devagar e sempre!” kkk Mas para quem estava ostentando a camiseta “Pangaré com orgulho” da Vamos Correndo, eu tive que aceitar o comentário…

Neste ponto já estávamos dentro da USP, território super conhecido pelos corredores de SP, local onde estudei e que me traz boas recordações. Lá, o percurso era cheio de idas e vindas. Por conta disso, tínhamos a oportunidade de ver os que estavam à nossa frente e os que estavam atrás. Pouco a pouco estávamos abrindo das garotas poderosas e da mesma forma o Danilo estava aumentando a distância, apesar que sua fisionomia ia ficando cada vez mais pesada a cada vez que nos cruzávamos. Numa dessas idas e vindas, escutei meu nome duas vezes. Confesso que não reconheci quem era mas me senti super-popular! E nesse meio tempo, vimos os líderes já retornando. Como esse pessoal corre rápido!

Finalmente saímos da USP e entramos na Avenida Escola Politécnica. Lá entendi porque os corredores odeiam esse trecho. Ele é deserto, quase não tem sombras e parece interminável. Já havíamos passado a metade da prova e o sol tinha dado o ar de sua graça. Pra dizer a verdade, o sol pouco me afetou. Pra quem está treinando no verão da Flórida, aquilo foi fichinha. A partir do km 12, comecei a me hidratar menos porque já estava sentindo que a minha bexiga estava se enchendo e aproveitei para esfriar a cabeça e o pescoço.

Se tinha alguma dúvida de que eu sou um supinador...

Fiquei meio preocupado com o grampo de retorno que era em subida mas que foi vencido sem maiores problemas. O retorno em si foi mais rápido e logo entramos na avenida da raia olímpica, mais uma vez dentro da USP. Dali para frente seria quase uma reta só em direção à linha de chegada. Apesar de não estar sentindo o calor, as sombras da avenida da Raia foram benvindas. Durante o percurso, fui perguntando à Alessandra se estava bem e vi que ela estava bem preparada e que tinha um bom plano de corrida. Seu maior longão tinha sido de 18km. De minha parte tinha comentado que não tinha feito nada acima de 15km e que estava preocupado por isso. Sua resposta foi: “Mas vc já fez uma maratona. Tem lastro pra encarar uma meia mesmo sem ter feito uma boa preparação.” Aquilo me deu um certo ânimo. Não tinha certeza se a coisa funcionava daquela forma mas como eu estava me sentido bem, assumi que era verdade e fui só pensando que iria acompanhá-la até o final.

A pouco metros do final

Assim como o amigo Guilherme Maio tinha feito comigo na minha primeira (e única) São Silvestre, fui falando para a Alessandra que a partir dali cada km era um vitória. A analogia dela era que 3km era uma volta pelo Parque do Ibirapuera. Foi por ali que o nosso coelho Danilo reapareceu na nossa alça de mira. Claramente estava sentindo cansaço e foi ultrapassado sem misericórdia (depois fiquei sabendo que ele fez uma prova de recuperação e melhorou seu RP – Boa Títchâr!). Na última checagem que fiz com a Alessandra ela confirmou que estava bem mas um pouco cansada. O próximo objetivo a ser vencido era o túnel final. Na descidinha do túnel relaxei o corpo, soltando os braços e deixando a gravidade me levar para baixo. Para vencer a subida não havia melhor incentivo. Lá no final, estava a placa do km 20. E nessa subida ultrapassamos vários corredores que vinham caminhando. Nada melhor pro ego vc estar “inteiro” no final de uma prova.

O quilômetro final passou muito rápido. Logo já estávamos adentrando no jóquei clube. Na reta final encontramos os amigos Eduardo e Anderson que estavam lá de fotógrafos e para a minha surpresa a Alessandra tinha guardado um sprint final. Não sei se foi o fato de ter escutado seu nome pelos alto-falantes alardeando palavras de incentivo do maridão mas o fato é de que ela foi com tudo pro final. Fui na minha tocada e cheguei 3s depois em 2h17’51″. Foi o meu pior tempo em meias (em torno de 26 min mais lento que o meu melhor tempo) mas foi uma das provas em que me senti mais satisfeito. Na noite anterior até vislumbrei uma potencial desistência. Tinha pensado até onde iria cruzar a pista e criar um atalho. Terminar inteiro, independente do tempo, foi uma grande vitória. Foi o incentivo que eu estava precisando para retomar bem os treinos para o próximo desafio: minha 2a. maratona.

Medalha bem bonita!

Agradeço ao incentivo de todos e se não ficou claro aqui no relato, deixo a minha recomendação que participem desse circuito (ainda haverá mais uma etapa em Brasília este ano e entendo que ano que vem teremos mais provas).

Resumo da Peleja

Número de Peito (bib): 3313
Tempo Bruto: 2h21’32″
Tempo Líquido: 2h17’51″
Colocação: 2171 de 2393 (masculino), 710 de ??? (40 a 49 anos)

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Pra Onde Vai a Grana?

Publicado por satrijoe em 24/07/2011

"Vale a pena correr esta maratona?"

Li na edição de Agosto da Runner’s World americana um artigo muito interessante sobre as taxas de inscrição em corridas. Aqui, como no Brasil, os preços estão subindo e a pergunta que sempre rola é “Tudo isso por uma camiseta e uma medalha?”. O autor, Jason Stevenson, fez o estudo dos custos da maratona de Green Bay, um evento que cobrava $75 e teve a participação de 2071 atletas. O detalhamento dos custos foi o seguinte:

Categoria Descrição Custo
Percurso -Certificação, entretenimento, sinalização, pacers, cronometragem, banheiros, transporte $6.93
Promoção -Fotografia e arte para material promocional, custos de inserção em jornais, revistas, TV, rádio, online $4.95
Alimentação -Jantar de massas e alimentação durante e após a prova $11.09
Administrativo -Aluguel de escritório, suprimentos, telefonia, energia elétrica, correios $4.22
Atletas Camisetas, premiação, medalhas, incentivos $14.62
Segurança Polícia, serviços municipais e segurança $3.24
Equipmamento Aluguel de áudio/vídeo, tendas, etc $6.09
Financeiro Taxas bancárias, cartão de crédito, seguro, contabilidade, depreciação de patrimônio $3.55
Pessoal Honorários, treinamento de voluntários, horas extras e vestimenta para equipe $16.92
Eventos Outdoors e Expo (feira) $3.39

 

Uma das principais conclusões foi a de que a taxa de inscrição para uma corrida normalmente não cobre o custo da organização do evento. Por isso a necessidade dos patrocinadores e doadores. Mas obviamente as corridas dão lucro caso contrário não haveria tantas empresas no ramo. Jason menciona o exemplo da maratona e meia de San Antonio. Em 2007, último ano em que foi organizada independentemente (talvez pela prefeitura, não está claro), atraiu 3600 corredores. No ano seguinte, ela passou a fazer parte do circuito Rock ‘n’ Roll e teve quase 25000 inscritos! Os organizadores trazem bandas ao vivo, cheerleaders, postos de hidratação temáticos e concertos pós-prova. Cobram mais caro que a média ($120 vs. $85) mas entregam um produto de qualidade que tem atraído um bom público. Daí a gente vê porque a maratona de Nova York, que cobra $207, atrai 45000 participantes. E pensar que na primeira edição em 1972, eles cobraram $1 dos 127 participantes a um custo total de $300. Brincadeira, né?

Qual o resultado? Nos Estados Unidos o número de maratonas passou de 320 em 2000 para 630 em 2010, ou seja, quase dobrou. O número de atletas que finalizaram provas (de qualquer distância) pulou de 9.4 milhões em 2008 para 12 milhões em 2010. E uma estatística ainda mais interessante foi de que 53% desses “finishers” eram mulheres!

E vc o que acha? Paga demais por suas provas?

Pra quem quiser ver um resumo (em inglês), é só seguir este link.

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Don Rodriguez strikes again

Publicado por satrijoe em 19/07/2011

E o estoque de comida caseira preparada por Doña Rodriguez acabou. Nenhuma novidade. Não dá pra fazer comida pra tanto tempo de solteirez, a não que vc tenha um frigorífico em casa.

Sendo assim, Rodrigonez foi fazer seu supermercado: amendoim, batata frita, tostitos, chocolate, suco de laranja, yogurt, coca-cola, gatorade e congelados. Enfim, só itens de primeira necessidade. Um dos congelados comprados foi um da cadeia PF Chang’s (eles se auto-denominam um bistrô chinês), que gosto muito. Mas vem um pacote para duas pessoas. Obviamente só tirei metade do pacote para ser descongelado. Li as instruções e mandei ver no micro-ondas. Quando o apito tocou, esse foi o resultado:

image

Vai um carvãozinho aí?

Se fosse mais esperto, teria colocado só metade do tempo no micro-ondas. Ah, por acaso mencionei que Don Rodriguez não tem olfato nem para cheirar comida queimada?

Enviado em causos, Don Rodriguez, Fun | 9 Comentários »

 
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